domingo, 30 de agosto de 2009

Apenas uma vez.

Quando assisti Once pela primeira vez, fiquei simplesmente encantado. Pode até soar meio gay, mas é verdade. Gostei tanto que fiquei até com medo de assistir o filme novamente, com medo que fosse apenas algo momentaneo, que não fosse tão bom assim. Mas hoje, ao assistí-lo pela segunda vez, esse medo foi embora, sobrando apenas o encanto.

Dentre os muitos filmes que vi, pouquíssimos mostram de maneira tão eficiente o sentimento de duas pessoas como este Apenas Uma Vez. Tudo no filme é muito real, e em alguns momentos lembra até um documentário. E a situação vivenciada pelos personagens principais não foge à realidade: um amor impossível. Duas pessoas comuns - apaixonadas e ligadas pela música - que acabam se apaixonando. Porém logo no início do filme é possível perceber que está paixão não terá um final feliz.

Mas será que um final feliz é realmente sempre o melhor final? Eu, sinceramente, acho que não. Muitas vezes apenas ter a companhia de alguém é suficiente. São pequenos momentos, que talvez se a relação tivesse tomado outro rumo, poderiam não ter acontecido ou apenas não seriam tão bons. Bons o suficiente para se tornarem inesquecíveis. Vendo o filme fica impossível não reconhecer isso, e fica impossível impedir que algumas lembranças venham à mente. Talvez por isso os nomes dos personagens principais do filme nunca são revelados: há um pouco de todos nós neles. E um pouco deles e de tudo que vivem em todos nós.

Despertando um sentimento de melancolia, o filme mostra que a realidade nem sempre é como desejamos, e que devemos tentar aproveitar até mesmo isso. Mostra que às vezes é preciso que um sentimento mais forte desperte dentro de nós para que possamos "acordar" e seguir em frente. Pois por mais doloroso que seja, é preciso vivenciar. Ao menos um vez. E quando chegar a hora de ir embora, é sempre melhor recordar aquilo que se viveu do que lembrar que se teve medo de viver.

E apesar de ser quase um musical, pois as várias músicas interpretadas pelo casal durante o filme tem um papel muito importante na história, todas estas músicas são realmente boas. Tanto que uma destas músicas, Falling Slowly, deu ao filme o Oscar de melhor canção original de 2007, além de outros prêmios.

Simples, porém nunca superficial, Apenas Uma Vez é um filme comovente e tocante, que demonstra com naturalidade a beleza dos sentimentos humanos.


Resumindo em uma nota, de 0 a 10: 10.

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Bozaum

Um comentário:

  1. Ao ler a resenha de Bozaum não pude deixar de escrever algo a respeito, principalmente pelo fato de minha experiência com o filme ser o exato oposto; quando assisti "Once" pela primeira vez me pareceu de extremo mal gosto: o estilo documentário me pareceu uma opção mal feita para contar aquele tipo de história. E essa era apenas um entre os diversos erros.

    Resolvi dar uma outra chance ao filme quando em uma outra conversa Bozaum elogiou com vigor e entusiamo o filme em questão. Ao assistir pela segunda vez vi os motivos pelos quais Spilberg e outros muitos entusiastas, se sentiram tão atraídos pelo filme; além de contar uma história de amor diferente - o que, convenhamos, já é algo que merece respeito - o filme de John Carney (como foi muito bem observado pelo resenhista) passa longe dos clichês.

    O mesmo não podemos dizer das canções, todas exaustivamente melosas e incapazes de causar algum sentimento diferente. Tive a impressão que fizeram uma única música e repetiram ao longo do filme inteiro! E isso, para um filme que se propõe a mostrar todo o poder de comunicação da música, é um erro de se levar em conta na avaliação final. A trilha sonora é tão ruim que até "...deu ao filme o Oscar de melhor canção original de 2007..."

    Resumindo: "Once" é um bom filme...até alguém começar a cantar.

    Nota 7

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