Depois de assistir o filme
Religulous e analisar algumas partes em que Bill cita o Papai Noel cheguei em algumas reflexões dentro e fora do contexto do filme.
Acreditar em Deus e no Papai Noel vem da mesma origem, a infância. Quando criança, temos que ser "bons" para sermos recompensados pelo velho barbudo Noel, o mesmo pensamento de "dar para receber"; então tínhamos que fazer coisas boas durante o ano e no dia 25 de Dezembro ganharíamos nosso tão sonhado presente, embora não fosse, muitas vezez, o que sonhávamos.Mas "cavalo dado não se olha os dentes". Os anos passam, nós crescemos e, um dia, descobrimos algo que muda nossas vidas para sempre: Papai Noel não existe. A partir disso passamos a não acreditar mais nele, simples assim, não pedimos explicações teóricas ou cientificas, fontes históricas, nem nada do tipo [com alguns é diferente, fazem birra, mas o final é sempre o mesmo].Porém não vamos culpar as crianças, elas não sabem disso, não estudaram que a cultura do comércio manipula seus pais a comprarem presentes para elas e dizerem que é o velho de vermelho. A culpa, pois definitivamente elas não são culpadas, era uma coisa que não se podia explicar.
Vamos, agora, um pouco mais além. Depois de velhos [não mais crianças] acreditamos em outro Papai, não o que entrega presentes, mas o que concede desejos. É simples, ao invés de você ser bom o ano inteiro, como fazia quando pequeno, só precisa trabalhar, rezar e, o mais importante, pagar o dízimo. Ao final você pode ter seu desejo realizado, ou não, mas isso não se sabe ao certo qual o método de escolha, se vai matar a fome da criança na África ou ajudar o empresário a fechar seu negocio. Só ele saberá o quê escolher. Contudo isso não vem ao caso. O fato é: qual a diferença em acreditar em um Velho de Vermelho que entrega presentes e um “Homem Invisível” que ouve e concede, às vezes, seus desejos?
Se fosse como antigamente quando não existia ciência e faltavam explicação para as coisas, hoje com toda tecnologia, ciência e informação disponível, as pessoas continuam a acreditar no Papai Noel. É o mesmo que sua mãe falar "filho sou eu que deixo os presentes debaixo da árvore" e você dizer "não, é o papai noel, eu sei que é" [ou "onde estão as fontes?"]. É uma questão de fé? Sim. A fé que se tinha na entrega do presente é a mesma fé que se tem na realização do desejo.
Outro ponto que cabe destacar no filme e que tem a ver com meu texto é a entrevista com o mulçumano na qual ele mostra a Bill a Kaabah e fala que é a pedra de deus que veio dos céus e só pode ser divina porque naquela região não existe tal pedra e Bill responde, "mas é um meteoro", e o individuo ainda insiste, "é a pedra de deus"; chegamos ao mesmo ponto da parte acima, a verdade está estampada e sendo falada, mas ainda prefere-se acreditar que é divino, que é magico. E a ciência não serve de nada. O meteoro, o presente, o desejo, a criação do mundo, a vida eterna e todas as outras coisas que insistem em falar estão no mesmo pacote e serão entregues as crianças de todo o mundo por um Velho Barbudo montado em um trenó voador.
Sendo assim, as conclusões são suas.