sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Crianças

Lembro-me que o meu maior sonho quando criança era ser jogador de futebol. Peço desculpas pelo lugar-comum, mas até mais ou menos os quinze anos tive a esperança de fazer um teste em algum clube grande, Atlético, Coritiba, ou qualquer outro, passar, e realizar meu sonho.
Astronauta, Médico, e até ser um daqueles empresário ricos, podres de ricos, que não têm mais lugar para colocar o dinheiro que ganham. Queria sempre ser alguém rico, importante, famoso. Sonhos, por vezes é melhor não tê-los, quando nos tornamos adultos vemos o quanto são difíceis de realizarmos essas aspirações infantis. Sonhos, muitas vezes é gratificante termos eles, além de passamos horas e horas criando histórias que nos façam percorrer desde o início até o final dessas conquistas, ainda nos vemos fazendo realizações que poderiam mudar o mundo num piscar de olhos. É mágico!
Cresci, fato do qual não pude fugir, uma vez ouvi alguém falando (acho que é quase um ditado popular) "quem não morre, envelhece". Não sei porque guardei isso comigo, se essa é a maior de todas as verdades que temos de enfrentar durante nossas mesquinhas vidas humanas. Mas, além de envelhecer, comecei a ver que alguns sonhos foram se desmoronando devido às circunstâncias da vida, outros, eu mesmo fui desmanchando, porque quis. Normal, todos fazemos isso, o tempo todo, sempre mudamos de discurso, e acho que essa é uma das artes que as pessoas fazer de melhor. O gente instável nos seus pensamentos! Comigo não foi diferente. Logo cedo desisti da ideia de ser astronauta. Se eu quisesse ir para o espaço, que fosse rico e pagasse passagem! Era isso, ser rico, fui pela mais fácil (porque na minha cabeça tudo era muito lógico) me torno rico, e pronto! Contudo, eu não era inteligente o suficiente para ser alguém de sucesso, e muito preguiçoso para ser alguém rico pelo esporte. Nem era muito bom no futebol!
Crianças...sempre sonhando. E claro, todas sonham, todas precisam sonhar, e brincar através desses sonhos, desafiar cada dia mais suas imaginações sem nem saber que o que fazem é mágico. Ficar horas brincando num terreno baldio entre canos de esgotos abandonados fingindo uma guerra. A terceira guerra mundial! quem sabe? Imaginam muito, não pedem nada em troca, apenas o direito de brincar. Certamente umas abortam suas infância cedo, por questões financeiras. Certamente outras prolongam suas infâncias por questões educacionais. Mas todas são, ou foram criança, e quem já viveu essa experiência sabe que, só por essa época, já valeu ter vivido!
Há crianças de todos ou tipos, todas as raças, em todas as nações. Esse universalismo que se compra na grande mídia todo mundo conhece. E, realmente, isso é uma verdade. Porém, mais triste do que pensamos. Compramos uma imagem até bonita, pagamos até muito bem por algo podre! Muito podre! Mas não no sentido mais profundo da palavra podre, mas num dos seus sentidos, num dos seus milhares de sentidos, acho até que num de seus sentidos mais desesperadores. Mas vamos ao que realmente interessa!
Era tarde, lá por umas seis horas da tarde. Foi um dia de muito sol, e a tarde estava bonita, com aquele céu claro de uma cidade num final de tarde. Tinha levado minha namorada para um tubo de ônibus perto da rodoferroviária. Comecei a retornar para a faculdade, subindo calmamente a avenida Sete de Setembro, pensando nos meus problemas (eu acho que estava pensando neles, sempre que estou sozinho faço isso). Eis que mais à frente começa a andar do meu lado, mas na pista de asfalto, um desses carrinhos de catadores de papel. O carrinho estava vazio, aliás, tinha alguns papeis, mas era muito pouco. O que chamava a atenção era um piazinho, devia ter de 3 a 5 anos, no máximo, que estava na parte de trás do carrinho. Brincava sozinho, sem muitos brinquedos, e eles eram alguns pedaços de papéis e cordas, que serviam para amarrar os pedaços de papelão. Se havia algo mais, não me lembro. Tampouco me recordo do que era a brincadeira, apenas entendi que aquilo era uma brincadeira porque certas expressões de criatividade e alegria infantis são, deveras, universais.
A felicidade do meu observado não era pequena até aquele momento. De repente passa um carro na rua, para do lado do carrinho, dois homens, um deles joga pra dentro do carrinho um pacote do salgadinho já pela metade. Naquele caso meio cheio. Então alguns homens que trabalhavam num posto de gasolina gritaram:
- Pega! É pra você!
O carrinheiro (espero que esse seja o nome certo!) devia ser o pai do garoto, olhou para os frentistas atrás dele, para os homens dentro do carro, agradeceu-os, e numa mistura de felicidade com rispidez (que me parece ser típico de pai) falou para o filho:
- Pega aí! Pode comer.
Os frentistas, eu, e talvez o motorista e o passageiro do carro, vimos o garoto largar tudo e ir comer. Ouvi barulhos que lembravam comemorações no posto. Ouvi o carro ir embora (espero que eles também tenham visto a cena!). E quase me vi feliz, mas numa angústia grande. Feliz pela cena que tinha acabado de se passar na minha frente. Por notar que há, sim, (eu também odeio esse chavão, mas vou ter que escrever!) esperança nos seres humanos. Eu diria até menos, que eles ainda, pelos menos ainda, têm um pouco de bom-senso ajudar seres frágeis que precisam ser ajudados. Mas a minha angústia vinha de algo maior, bem mais interno. Eu era um espectador, o mais legítimo de todos os espectadores daquela cena. Os frentistas participaram, tiveram a iniciativa de dar um pacotinho (meio cheio) de salgadinhos. Gesto simples, mas útil. Os dois homens do carro tiveram a boa vontade de serem os "entregadores" do(digamos aqui) "presente", sem dúvidas um bom gesto de caridade. O carrinheiro, não é preciso muito para falar de sua importância. Pai, trabalhando, carregando o filho como podia, e ainda abriu um sorriso quando viu o filho receber o presente. Tamanha felicidade que vi naquela cena só poderia se passar entre um pai e um filho. E além do mais, se não fosse o pai que quisesse ter passado por aquele rua, naquele momento, eu estaria, talvez, escrevendo um texto sobre "O brilho do sol numa final de tarde no centro de Curitiba". Pode-se dizer que ele teve uma grande importância em toda essa narrativa. Eu, contudo, não tive outro papel a não ser o de observador.
O que fazer? Em que poderia eu ajudar? Bom, comecei a pensar em várias coisas que existem, e que faltam, na nossa sociedade para que uma cena daquela ocorresse. Mas isso não intessava antes, nem interessa agora. Esse não é umm texto com um intiuito político. Por um momento quis limpar todos esses pensamentos mesquinho (mandá-los à merda!) e admirar a cena que estava vendo. O piazinho, feliz, comendo seu presente. De vez em quando olhava para mim, eu de vez em quando tinha que para de olhar para ele. Que futuros ele irá ter, ou mesmo se ele irá ter um futuro, eu não sei. Provavelmente não vou saber. Aquela cena só me fez poder observar que para o meu protagonista a felicidade se realizava com pequenas coisas. Não indaguei, nem vou indagar mais nada sobre ele. Já me disseram que às vezes nós queremos mudar a realidade de uma pessoa, mas elas são felizes do que jeito que estão. É verdade, e além do mais, seria um erro noisso interferir no livre arbítrio da pessoa. Sei que aquele menino não escolheu nascer filho de um carrinheiro, mas ele pode ter aprendido a ser feliz com a vida que seu pai lhe ofereceu. Pode nunca quere mudar isso. O que realmente importou em tudo isso foi a comprovação que essa universalidade da Infância é um dos melhores estados de espírito do ser humano, acalma, relaxa, nos faz aproveitarmos o que o mundo nos oferece (ou seja, nos faz saber vivermos o nosso mundo). Que comer salgadinho com a mão suja não é proibido por todos os pais, e que isso pode ser a tal felicidade.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

"A volta dos que não foram"

"Que rolem as pedras do sepulcro LOSER. Voltemos, grandes amigos de perdas. É, pois, que levantado do berço em que jazia, trago um novo estilo mais para dentro. Meto-me. Ainda me sobram as paixões, caros leitores; não choreis, amadas leitoras, pelo velório do romanceiro, ele ainda viverá, seguindo, sim, um fluxo diferente: o da (in)consciência. O verme da paixão ainda parasita meu ser; em estado crônico. Agora aloja o território fantástico da mente. Sendo assim, passo a acrescentar o “INTROSPECTO” ao nome de romanceiro, o que poucos de vocês deixarão de compreender. Livremo-nos de prólogos."

Violeta

Falta-lhe a bunda; cu todos temos. Beleza fria, cairia bem com um café quente com metade de açúcar; doçura. Um biscoito supriria a falta da gostosura que normalmente alimenta os homens, tem ela nada de mais, é tudo fruto de reflexão. Há dias que vinha me perturbando sem sequer fazer nada, respirava, é certo, talvez isso me indignava. Não que me faltasse o ar, mesmo que não, só me perdi em reflexões pelo tesão delas mesmas. Pinto murcho, cu folgado: estado normal.
Acostumei os leitores com o brilho da amada, perdão: hoje falta a amada e, principalmente mais, o brilho. É um lado da vida a se descobrir, o dos interesses pelo mistério inventado. Inventa-se mistério em tudo, até mesmo na relação entre cor e mulher; compreende-se?
Trazia roxo, cor de fama não muito boa, muitos se pavorizam, eu inclusive já vi que não me dei muito bem com ele. Nela, a mulher, o roxo, como lhe é costumeiro, não brilhou e mesmo até não coloriu, fugindo a seu encargo na qualidade de cor. Manchou.
(Tiro que passa pela culatra e derruba o já cadáver na parede branca; primeira menstruação; nódoa de frutas; beijo de batom vermelho no colarinho; taça de vinho derrubada na toalha de mesa; hemoptise; vômito negro; teste Rorschach). Manchou a mulher. Nem se percebeu da carga que pôs sobre si. Logo me deparei na densa harmonia entre cor e corpo; três instantes e pareceram uma só coisa: eram uma garota de roxo. Eclipse: sol, lua, garota, roxo. Eu vulnerável me deixei levar, ceguei-me e logo tateava um mundo sem lógica cheio de fantasias todas minhas.
(Cemitério à tarde, vazio, as pessoas ainda estavam morrendo, nada de sossego para elas. Entre os túmulos, morta paz. Eu lia os nomes e os epitáfios, tentando pensar num que pudesse ser o meu um dia, não de tarde como aquele, mas escuro, sombrio, ventos. Um farfalhar me deteve, não estava mais sozinho. Entre os túmulos nobres de mármore, passava a garota de roxo, como quem dança uma valsa corrida, sem parceiro. Eu estiquei minha mão em sua direção; doeu-me, escorreguei até o chão encostando nas gavetas onde jazia algum morto. Pus me de joelhos, recuperei o fôlego, respirando ao som do balançar do vestido da jovem dama de roxo. Levantado, passei a persegui-la andando a passo rápido, sem correr. Um momento depois de a perder de vista, fui surpreendido pelas costas: tive de susto seu corpo a um palmo do meu).
Consciente, numa segunda espreitada àquela mulher, lembrei-me do meu dia de morrer, do meu velório. Estava seduzido. Lha admirei roxa, descobri mais sobre ela, sua cor era, na verdade, seu reflexo opaco sujo distorcido perdido de uma mente insana. Mistério revelado.

- Olá, tudo bem contigo? – disse a mulher a mim.

Seduziu-me seu velório.
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Andrius, o romanceiro introspecto.
"A fantasia do café que havia esfriado"

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Santo Recalcitrante - Laerte

O grande Laerte fez mais uma grande série de tiras que eu gostei muito. Todo dia eu abria meu Reader pra ver se ele tinha lançado mais alguma. São no total 23 tiras contando a história de Latércio de Alcaçus, ou São Latércio. Não vou resenhar a estória porque se não acabo com a graça. Vejam, vale a pena de verdade! Algumas aqui pra vocês sentirem o gostinho.







Para ver o restante entre no Manual do Minotauro. Lembrando que é um blog, então elas estão ao contrario, ou seja, a ultima esta no começo e as primeiras estão no final...enfim, comece das últimas páginas.
Ps. Sim, eu sei que ja faz tempo que ele terminou elas.
Ps 2. Eu ainda não consigo pronunciar 'recalcitrante'.

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HZ
>(

Stay Inside

No período de 24/06 a 04/07 o Steam fez as promoções de verão [no hemisfério norte é verão nessa época =P] de venda de jogos para PC e a campanha foi a Play it Safe. Stay Inside. Save Big. A cada dia eles colocavam um novo banner alertando sobre os perigos das atividades de verão, de se divertir fora e porque é mais seguro ficar em casa. Achei muito boa a campanha então resolvi postar as imagens aqui pra vocês darem uma olhada também. Não coloquei na ordem que elas sairam porque fiquei com preguiça, mas nao faz diferença. Clique nas imagens pra ampliar.




















UEHAUHEUEHAUEH. Boa parte delas resulta em morte. STAY INSIDE.

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HZ
>(

domingo, 14 de março de 2010

Em alta

Glauco

texto escrito em 13 de março de 2010

Principalmente pela manhã. Perdido disfarçando, esperava meu pai sair pra tomar café, e logo me punha de cotovelos no balcão para folhar o “Folha de S. Paulo”, até chegar no Ilustrada e, por fim, ao que importava: os quadrinhos.

Ah, que diversão! De cara procurava os que mais me interessavam, pra dar risada. Me perdoe o Laerte, mas minha infantilidade não enxergava suas intenções; lia, sim, o Dik, o Adão, o Glauco. Então podia, agora sim, começar o dia, embora logo me detivesse novamente em mostrar uma das tiras engraçadas pra os outros empregados da loja.

Pena! Ontem tomei um susto quando, no agito de ir pra aula, vejo a notícia da morte do pai do Chico bacon e do Geraldão. Involuntariamente essas lembranças me vieram à mente. Anotei na mão o acontecido, pra falar para os amigos. Era o assunto do dia.

À noite, li na manchete que Jesus Cristo era quem tinha assassinado o Glauco; meu amigo disse que a religião é ruim para nós. Triste, pensei que suscetíveis estamos todos a tudo: ao mundo e seus desígnios, às fatalidades e seus sustos, ao Brasil e seus déficits, aos loucos e seus atos, até mesmo a cristo. Trágico!

Hoje temos tiras em branco.

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Andrius, o Romanceiro

terça-feira, 9 de março de 2010

Conto #1

Herói Urbano #1

Cidade grande. Prédios, casas, carros, pessoas, barulho, lixo, poluição.
Dois homens conversam em um beco, armados com rifles planejam roubar a um banco próximo. Eles correm e entram no banco atirando para cima, sinalizando o início do assalto.

Em seu pequeno apartamento, de cueca e assistindo televisão, o super-herói da cidade pressente o perigo e sai, voltando em seguida pois esquecerá de vestir seu uniforme e pegar suas armas de combate.
Já com o uniforme e mascarado para não ser reconhecido, o herói desce de elevador até o estacionamento. A demora o angustia. A porta abre e ele corre para o carro e sai em disparada para o local do crime.

Chegando ao banco ele se prepara, pega as armas e as pessoas, tumultuando, abrem caminho, a polícia também. Ele invade o banco pela porta da frente. No mesmo momento uma bomba de hidrogênio explode no centro levando junto a cidade inteira.
Outro herói urbano sendo atrapalhado pela guerra nuclear que acontecia no mundo.

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Vou tentar escrever outras short stories [tão ruins quanto esse] e postar aqui. =)

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HZ

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Visão/Ilusão de mundo

Sonho de uma noite de outono.

A mulher que eu amo sonhou comigo.
É nesse mundo irreal, mas verdadeiro, que me foi permitido estar ao lado dela, expressar meus sentimentos, tocá-la, ouvir sua voz em serenata. Lá, as folhas secas e amarelas dos ipês se prostravam aos dois amantes, o relógio detinha-se para ouvir os tic-tacs dos corações em chamas e as árvores tratavam de dar sombra aos cabelos daquela bela, que o vento insistia em chacoalhar.

Aquele amor, ali, era puro; conservador, mas desimpedido. O seu corpo se fazia todo meu, mas o que me interessavam eram suas palavras, seus cabelos entre meus dedos, o toque sutil dos lábios, o sentir fino da pele maltratada pelo frio intenso.

Corria-se pelas vielas, escondia-se atrás dos troncos, jogava-se aos braços em busca do calor do outro, que instigava a alma, que arfava o peito. Eu a tinha com um belo sentimento, mandava-lhe beijos, cantava-lhe melodias, declamava-lhe poemas; exaltava-a. Agarrados, caminhávamos em direção ao pôr-do-sol, chutando o ar, olhando os cães distraídos que pensavam na vida, recebendo a tarde com sentimento de esperança. Os que passavam por nós sequer imaginavam que ali estavam duas pessoas que escreviam um romance, que afirmavam a existência de D-us através de um amor sublime de toque celestial. Esses outros viviam somente, seguiam suas leis e preceitos, caminhavam da casa para o trabalho, passavam por aquele parque somente em busca de um atalho e suas ânsias eram de um banho quente e um café, talvez.

Isso porque o sonho não era deles, mas da mulher que eu amo, por quem eu suspiro todas as noites, em quem penso quando me ponho a escrever, minha eterna amante. Esta não sonha com as verdades do mundo, com as tramas da sociedade, mas somente se detém no seu romance, numa história de amor que eu escrevo pra ela e leio todas as noites antes de dormir, orando pra que minha imagem perturbe seus sonos e que, ao acordar, eu seja sua primeira lembrança.

Isso tudo faz parte de um mundo lindo que criei para suprir minhas necessidades de paixão, minhas carências. Nele as coisas somente me rodeiam, servem à minha vida; e lá meus braços folgam na proteção da amada. Eu a tenho com pureza e confiança, sem ressentimentos. É a minha utopia solidária, meu resgate emocional.

Entretanto, no mundo que criaram pra mim, tenho medo de amá-la, temor em expressar-me, ausenta-me a coragem. Se criaram esse mundo pra mim, esqueceram de fazerem-na minha; tal dádiva me escapou.

Os verdadeiros sonhos que me perturbam são a indiferença dela perante mim, seu desleixo com o meu coração, sua resignação. Ela escreve-me coisas que não entendo em bilhetes sujos, restos de papel, lixo presenteado. Qualquer ímpeto de meu instinto apaixonado é certamente impedido, meu amor é afogado e o sentimento consumido. Triste vaga vida, que me é dada cada dia e me tomada pela noite.

Mas enquanto ela sonhar e um papel pra rabiscar eu tiver, poderei tornar o mundo algo mais descompromissado, ter meu próprio parque com ruas cobertas de folhas secas e amarelas dos ipês, árvores com sombras, um sol para seguir, ela para sentir: poderei amar puramente.


Acordei e o café havia esfriado.

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Andrius, o Romanceiro

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Aspectos Relacionados aos Desvios Posturais


Tendo em vista a grande importância que o assunto representa, decidi arriscar algumas linhas para treinar um pouco a escrita (coisa que cada vez faço menos) e expor alguma coisa de útil aos caríssimos colegas(tomara que assim seja).

Com relação ao tema, buscarei focar de forma bem direta nos principais tipos de desvios posturais, quais posições causam uma maior sobrecarga para a coluna e que tratamentos podem auxiliar na redução desse mal.


Primeiramente é válido ressaltar que temos curvaturas fisiológicas na coluna e são representadas por uma lordose cervical, cifose torácica, lordose lombar e nova cifose sacro-coccígena( ROCHA EST et alii 2001 )


Os principais tipos de desvios posturais se darão principalmente com a acentuação na angulação da coluna em suas curvas fisiológicas(cifose ou lordose), podendo também ocorrer problemas como a retificação e a escoliose, que seria o desvio lateral da coluna.Esses problemas geralmente, ocorrem nos segmentos torácico e lombar, isoladamente ou em conjunto, gerando curvas que procuram se compensar para manter os esforços,com resultante neutra.(ROCHA EST et alii 2001)


A biomecânica da coluna do homem não tem a estrutura adequada para permanecer por
longos períodos na posição sentada, mantendo posturas estáticas fixadas e realizando movimentos repetitivos.(BRACCIALLI et alii 2000)

A posição sentada é considerada a mais danosa para a coluna, pior até mesmo que a posição em pé. A pressão no disco intervertebral em L3 é consideravelmente menor em pé do que na postura sentada. Quando se utiliza apoio na região torácica ocorre um aumento na pressão intradiscal, enquanto a utilização de um apoio lombar diminui a pressão no disco.
(NACHEMSON 1975 apud BRACCIALLI 2000)

Com isso só nos resta diminuirmos um pouco essa jornada de tempo que passamos em frente ao pc e à televisão e os tratamentos ficariam por conta de fisioterapeutas, ortopedistas e educadores físicos.


BRACCIALLI,Lígia Maria Presumido et alii.ASPECTOS A SEREM CONSIDERADOS NA ELABORAÇÃO DE PROGRAMAS DE PREVENÇÃO E ORIENTAÇÃO DE PROBLEMAS POSTURAIS. Rev. paul. Educ. Fís., São Paulo, 14(2):159-71, jul./dez. 2000


ROCHA,Eduardo S.T. Problemas ortopédicos comuns na adolescência. Jornal de Pediatria - Vol. 77, Supl.2, 2001

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Memórias e romance

Minha caminhada.

Sob a baixa luminosidade da sala é que hoje me ponho a rabiscar essas linhas. A chuva lá fora é instável, o ar me parece fresco e, sobretudo, o café não me falta. Aparentemente um clima folgado, daqueles das tardes de um dia de folga, de feriado sem importância; atmosfera de cidade do campo. Envolta por isso, minha mente, que merecia descanso, prefere carregar-se, viajar a trabalho por entre as memórias de um baú pequeno, porém entulhado de coisas.

Não é dia de mudança de ano, de aniversário, de falecimento, ou qualquer uma dessas datas em que, por praxe, paramos pra fazer planos, ver o quanto estamos velhos, pensar na vida. Assim como fruta fora de estação, presente sem motivo me são esses pensamentos. Sonho com eles num romance algum dia, sujando as páginas de um livro, sendo folheados no ônibus, guardados por sacolas, amontoados na cabeceira da cama de uma linda garota desconhecida. Imagino-os tirando lágrimas dos olhos da bela moça emotiva e insensata, que toma seu tempo lendo o que hoje são pra mim imagens mentais, abstratas e sem nitidez. Será minha vida um romance?

Sobretudo, um dia, sonhei. Era um piá preto vestido a trapos que subia em árvores, não soltava pipa, chutava bola, cuspia no chão e amava os avôs. Não tinha muito com o que se preocupar, aliás, quanto menos pensasse na vida, menos triste seria; simples, era só viver. Talvez por isso, hoje, eu reflita tanto, agora que tenho com o que me comprometer, pude tomar posse daquelas lembranças e, independente, fazer delas o que quiser: fiz-las marcas, traços que corroborassem pra configurar o que sou.

Essas marcas são nosso passado. Para alguns, em concordância com esse nome, é simplesmente o que se passou e que logo se apagou: são homens e mulheres sem história e, muito mais, sem romance. Esses não sabem andar na praia.

Alguns dias atrás, caminhando pela areia, ladeado pelo oceano, sentia-me bem. Sem garotas pra admirar – belas moças não acordam cedo – passei a cuidar meus passos. Logo notei as pegadas deixadas pelas pessoas que haviam já passado naquele caminho. Medidas exatas, formas singulares que, embora eu tentasse, não podia encaixar meu pé naquelas marcas: não eram minhas. Nem mesmo nas de meu pai cabiam os meus passos. Tomado pela descoberta parei e olhei para trás: observei que eu, também, deixava as minhas próprias impressões na areia. Elas marcavam minha trajetória, levavam-me a reconhecer o quanto tinha andado, por onde tinha passado: eram minha história. Imediatamente olhei para o lado e vislumbrei o mar com toda a sua imponência, sua magnitude; e os montes com suas grandiosidades e mistérios. Pronto! agora sim, tinha, ali, meu romance.

Acordei e o café havia esfriado.

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Andrius, o Romanceiro

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Possíveis Fatores Envolvidos na Gênese do Câncer de Cólon e Reto

O cancêr de cólon e reto é responsável por um elevado número de mortes no Brasil, principalmente nas regiões sul e sudeste, com destaque para Curitiba entre as capitais mais afetadas por esse mal.

As partes do intestino grosso em que ocorrem os tumores são principalmente onde as fezes tendem a permanecer por mais tempo paradas, como no início do cólon ascendente, cólon distal e reto, tendo muito provavelmente uma relação direta com o surgimento dos tumores, devido a agentes carcinogênicos que são produzidos e o prolongado contato desses com a mucosa intestinal.(HALLS, 1965 apud LOPES et al 1984).

Outra relação que os pesquisadores vêm fazendo é com a alimentação, no caso o excessivo consumo de produtos industrializados, carnes , leite e ovos, enfim, alimentos com grande quantidade de gordura e que são consumidos em larga escala nas regiões mais urbanizadas.No Brasil as regiões que apresentaram menor incidência de casos foi a região norte e nordeste conforme dados do Ministério da Saúde 1982.

De fato podemos presumir que a alimentação das pessoas dessas regiões não urbanizadas é totalmente diferente da alimentação realizada no Sul e Sudeste do país, onde até as tradições culturais desempenham uma maior influência no consumo. A alimentação rica em fibras que seria o caso da população das regiões Norte e Nordeste, teria forte influência na redução dos casos desse tipo de tumor, tudo isso devido ao "aceleramento" no processo de exclusão do bolo fecal que sem a ingesta desses alimentos ficaria maior tempo armazenado no intestino grosso.

Uma dica seria no maior controle da ingesta de produtos que tenham gorduras e açúcares, e no abuso, daí sim, de produtos ricos em fibras, para realmente acelerar a saída do bolo fecal.


Referências:

- Lopes,Eliza da Conceição da Fonseca et al. Importância da dieta na epidemiologia do câncer de colon e reto. Rev. Saúde Pública vol.18 no.5 São Paulo Oct. 1984.

- MINISTÉRIO DA SAÚDE. Campanha Nacional de Combate ao Câncer. Câncer no Brasil: dados histopatológicos; ed. Rodolfo Brumini. Rio de Janeiro, 1982.


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Jovem Eder

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Diário de bordo

Lembranças

Por muito tempo perdurou-se a idéia de que os poetas, romancistas e artistas em geral se mantinham sob feitiços de gênios que lhes manifestava o bálsamo da inspiração. É o vinho que Baco mijou e que abria a tampa do âmago do ser, fluidava-lhe a alma; por isso muitos escreveram, interpretaram, versaram, cantaram, pintaram e criaram. Os realistas definharam esse pensamento e chamaram o artista de profissional, deram-lhe técnica. Não obstante, eu ainda prefiro crer que somos bêbados – pelo menos eu sou -, e que experimentamos o vinho devaneador, porém, somos profissionais nisso.

Como muitos que são os artesãos da arte, cada qual procura pra si o seu licor; são variados. Neste boteco que D-us me deu, acabei que por encontrar uma bebida nobre: brisa de mar! Como bom vinho, suave, cálida e sublimante, ela me lavou, invadiu meu corpo e tocou o seio de minha alma. Embriaguei-me.

Ébrio, agora sim, pude enxergar o que me de belo passava, o que antes, despercebido e entre os prédios da cidade, ocultava-se de mim. Defronte ao mar, ouvi segredos que soavam, vindos do horizonte, e, ali, na praia, quebravam, como ondas.

Inconscientemente consciente notei que paisagens belas se ofereciam a mim. Hoje, de ressaca e vomitando as tripas no papel, não posso deixar de descrevê-las, belas, donzelas, elas...elas.

Com a primeira, a praia não se queixava da ausência do Sol, quiçá eu, que sem óculos pra proteger meus olhos do brilho da beleza daquela mulher, metia-me a encará-la, enfrentando eclipse a olho nu. De longe eu sentia seu cheiro doce que me dava água na boca, tremia-me a as pernas e me fazia suar. Seu bailar tomava-me todos os sentidos: Manchou meu inconsciente.

Na tarde seguinte, eu, beira-mar, esperava por essa primeira, mas descobri uma segunda. Reflexivo e caminhante, não pude deixar de notar a brincadeira de bola do garotinho com uma moça. Atrai-me pela inocência, não do pequeno que comia areia e sequer falava, mas daquela mulher que, encantadora, seduzia-me involuntariamente. Por minutos estaquei ali para observá-la, para fruí-la com o olhar, e, nesse tempo, permiti-me vislumbrar o seu desfile em direção às águas, em busca da bola ou para enxaguar as mãos. Deliciei-me o possível e fui embora, certo de que nunca mais a veria. Já estava satisfeito.

Para essa mesma noite sobrou-me outra, de olhos firmes e misteriosos, no mínimo intrigantes: extorquiram-me. Inescrupulosos, me seduziram pra cuspir “Não!” na minha cara. Ainda assim, tratei de sugá-los até o último instante, por desejo, por ânsia. Belos e malditos custaram-me uma noite de sonhos e essas linhas fadigadas.

Além disso tudo, tive ainda a oportunidade de vigiar um pôr-do-sol, sobre o qual já tinham me advertido da sua grandiosidade. Fotografada, essa única paisagem, das quatro, que me cedeu colo, hoje mereceu um poema, diferente das outras, que já me são crônicas.


Acordei e o café havia esfriado.


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Andrius, o Romanceiro