quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Possíveis Fatores Envolvidos na Gênese do Câncer de Cólon e Reto

O cancêr de cólon e reto é responsável por um elevado número de mortes no Brasil, principalmente nas regiões sul e sudeste, com destaque para Curitiba entre as capitais mais afetadas por esse mal.

As partes do intestino grosso em que ocorrem os tumores são principalmente onde as fezes tendem a permanecer por mais tempo paradas, como no início do cólon ascendente, cólon distal e reto, tendo muito provavelmente uma relação direta com o surgimento dos tumores, devido a agentes carcinogênicos que são produzidos e o prolongado contato desses com a mucosa intestinal.(HALLS, 1965 apud LOPES et al 1984).

Outra relação que os pesquisadores vêm fazendo é com a alimentação, no caso o excessivo consumo de produtos industrializados, carnes , leite e ovos, enfim, alimentos com grande quantidade de gordura e que são consumidos em larga escala nas regiões mais urbanizadas.No Brasil as regiões que apresentaram menor incidência de casos foi a região norte e nordeste conforme dados do Ministério da Saúde 1982.

De fato podemos presumir que a alimentação das pessoas dessas regiões não urbanizadas é totalmente diferente da alimentação realizada no Sul e Sudeste do país, onde até as tradições culturais desempenham uma maior influência no consumo. A alimentação rica em fibras que seria o caso da população das regiões Norte e Nordeste, teria forte influência na redução dos casos desse tipo de tumor, tudo isso devido ao "aceleramento" no processo de exclusão do bolo fecal que sem a ingesta desses alimentos ficaria maior tempo armazenado no intestino grosso.

Uma dica seria no maior controle da ingesta de produtos que tenham gorduras e açúcares, e no abuso, daí sim, de produtos ricos em fibras, para realmente acelerar a saída do bolo fecal.


Referências:

- Lopes,Eliza da Conceição da Fonseca et al. Importância da dieta na epidemiologia do câncer de colon e reto. Rev. Saúde Pública vol.18 no.5 São Paulo Oct. 1984.

- MINISTÉRIO DA SAÚDE. Campanha Nacional de Combate ao Câncer. Câncer no Brasil: dados histopatológicos; ed. Rodolfo Brumini. Rio de Janeiro, 1982.


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Jovem Eder

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Diário de bordo

Lembranças

Por muito tempo perdurou-se a idéia de que os poetas, romancistas e artistas em geral se mantinham sob feitiços de gênios que lhes manifestava o bálsamo da inspiração. É o vinho que Baco mijou e que abria a tampa do âmago do ser, fluidava-lhe a alma; por isso muitos escreveram, interpretaram, versaram, cantaram, pintaram e criaram. Os realistas definharam esse pensamento e chamaram o artista de profissional, deram-lhe técnica. Não obstante, eu ainda prefiro crer que somos bêbados – pelo menos eu sou -, e que experimentamos o vinho devaneador, porém, somos profissionais nisso.

Como muitos que são os artesãos da arte, cada qual procura pra si o seu licor; são variados. Neste boteco que D-us me deu, acabei que por encontrar uma bebida nobre: brisa de mar! Como bom vinho, suave, cálida e sublimante, ela me lavou, invadiu meu corpo e tocou o seio de minha alma. Embriaguei-me.

Ébrio, agora sim, pude enxergar o que me de belo passava, o que antes, despercebido e entre os prédios da cidade, ocultava-se de mim. Defronte ao mar, ouvi segredos que soavam, vindos do horizonte, e, ali, na praia, quebravam, como ondas.

Inconscientemente consciente notei que paisagens belas se ofereciam a mim. Hoje, de ressaca e vomitando as tripas no papel, não posso deixar de descrevê-las, belas, donzelas, elas...elas.

Com a primeira, a praia não se queixava da ausência do Sol, quiçá eu, que sem óculos pra proteger meus olhos do brilho da beleza daquela mulher, metia-me a encará-la, enfrentando eclipse a olho nu. De longe eu sentia seu cheiro doce que me dava água na boca, tremia-me a as pernas e me fazia suar. Seu bailar tomava-me todos os sentidos: Manchou meu inconsciente.

Na tarde seguinte, eu, beira-mar, esperava por essa primeira, mas descobri uma segunda. Reflexivo e caminhante, não pude deixar de notar a brincadeira de bola do garotinho com uma moça. Atrai-me pela inocência, não do pequeno que comia areia e sequer falava, mas daquela mulher que, encantadora, seduzia-me involuntariamente. Por minutos estaquei ali para observá-la, para fruí-la com o olhar, e, nesse tempo, permiti-me vislumbrar o seu desfile em direção às águas, em busca da bola ou para enxaguar as mãos. Deliciei-me o possível e fui embora, certo de que nunca mais a veria. Já estava satisfeito.

Para essa mesma noite sobrou-me outra, de olhos firmes e misteriosos, no mínimo intrigantes: extorquiram-me. Inescrupulosos, me seduziram pra cuspir “Não!” na minha cara. Ainda assim, tratei de sugá-los até o último instante, por desejo, por ânsia. Belos e malditos custaram-me uma noite de sonhos e essas linhas fadigadas.

Além disso tudo, tive ainda a oportunidade de vigiar um pôr-do-sol, sobre o qual já tinham me advertido da sua grandiosidade. Fotografada, essa única paisagem, das quatro, que me cedeu colo, hoje mereceu um poema, diferente das outras, que já me são crônicas.


Acordei e o café havia esfriado.


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Andrius, o Romanceiro