Títulos.
Creio que logo no primeiro foco de hierarquia o homem já se mostrou afetuoso em, ao contrário dos muitos que pensam na obtenção de poder, mostrou-se o homem, como dizia, contente em ser reconhecido. E uma forma trivial de reconhecimento são os títulos, e suas variações nominais, que normalmente sobrepõem-se em graduações. Perdoemos-lhe, pois até os anjos devem alegrar-se com nomeações de ordem celestial.
Creio que logo no primeiro foco de hierarquia o homem já se mostrou afetuoso em, ao contrário dos muitos que pensam na obtenção de poder, mostrou-se o homem, como dizia, contente em ser reconhecido. E uma forma trivial de reconhecimento são os títulos, e suas variações nominais, que normalmente sobrepõem-se em graduações. Perdoemos-lhe, pois até os anjos devem alegrar-se com nomeações de ordem celestial.
De forma simples, hoje eu sorri ao ver-me reconhecido. Mas não é de hoje que isso me ocorre: já desde pequeno, quando vovó se orgulhava de mim. Porém é a primeira vez que escrevo sobre esse sentimento nobre e modesto, que nada tem a ver com as poluições das traças humanas nomeadas de orgulho, soberba, pedantismo; quando, como dizia mestre meu, “o cidadão esquece-se que tem cu”. Aquele sentimento primitivo o qual dizia nada tem que ver com estas podridões humanas.
Pois então hoje sorri com simplicidade quando me intitularam amigo, alguém que eu jamais esperava, e mesmo sabendo que o título pode ser tão superficial quanto o de Príncipe para os brasileiros os é; ainda assim regozijei. Como quando se olha pra ex-namorada e se reconhece nela: sorriso de malícia nos brota.
Às pessoas contemplativas, embora eu creia que comtemplar é somente um estado, uma inércia muitas vezes adotada para repouso; nada há além de reconhecer: essa é a ação de uso das capacidades intelectuais, quando se usa a razão; e a origem das emoções. Hoje, reconhecendo, emocionei-me: sorri!
Este bom sentimento concorre com uma dor em ver pessoas que não reconhecem o valor da vida. Talvez a ti nada tenha a ver um com o outro, mas é que não vistes o que eu vi. Se não te convenci, analisa as dimensões: Uma coisa pequena, quase banal, revelou-se a mim como grande, até sorri; enquanto que a vida, pedra rara, a muitos se torna banal, objeto de uso, vil substrato. Em que está toda essa diferença? Creio que em reconhecer.
PS: Leitor, sobre o valor da vida hoje não me senti inspirado a escrever. Sossegue, deixemos para outro dia.
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PS: Leitor, sobre o valor da vida hoje não me senti inspirado a escrever. Sossegue, deixemos para outro dia.
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Andrius, O Romanceiro