Lembro-me que o meu maior sonho quando criança era ser jogador de futebol. Peço desculpas pelo lugar-comum, mas até mais ou menos os quinze anos tive a esperança de fazer um teste em algum clube grande, Atlético, Coritiba, ou qualquer outro, passar, e realizar meu sonho.
Astronauta, Médico, e até ser um daqueles empresário ricos, podres de ricos, que não têm mais lugar para colocar o dinheiro que ganham. Queria sempre ser alguém rico, importante, famoso. Sonhos, por vezes é melhor não tê-los, quando nos tornamos adultos vemos o quanto são difíceis de realizarmos essas aspirações infantis. Sonhos, muitas vezes é gratificante termos eles, além de passamos horas e horas criando histórias que nos façam percorrer desde o início até o final dessas conquistas, ainda nos vemos fazendo realizações que poderiam mudar o mundo num piscar de olhos. É mágico!
Cresci, fato do qual não pude fugir, uma vez ouvi alguém falando (acho que é quase um ditado popular) "quem não morre, envelhece". Não sei porque guardei isso comigo, se essa é a maior de todas as verdades que temos de enfrentar durante nossas mesquinhas vidas humanas. Mas, além de envelhecer, comecei a ver que alguns sonhos foram se desmoronando devido às circunstâncias da vida, outros, eu mesmo fui desmanchando, porque quis. Normal, todos fazemos isso, o tempo todo, sempre mudamos de discurso, e acho que essa é uma das artes que as pessoas fazer de melhor. O gente instável nos seus pensamentos! Comigo não foi diferente. Logo cedo desisti da ideia de ser astronauta. Se eu quisesse ir para o espaço, que fosse rico e pagasse passagem! Era isso, ser rico, fui pela mais fácil (porque na minha cabeça tudo era muito lógico) me torno rico, e pronto! Contudo, eu não era inteligente o suficiente para ser alguém de sucesso, e muito preguiçoso para ser alguém rico pelo esporte. Nem era muito bom no futebol!
Crianças...sempre sonhando. E claro, todas sonham, todas precisam sonhar, e brincar através desses sonhos, desafiar cada dia mais suas imaginações sem nem saber que o que fazem é mágico. Ficar horas brincando num terreno baldio entre canos de esgotos abandonados fingindo uma guerra. A terceira guerra mundial! quem sabe? Imaginam muito, não pedem nada em troca, apenas o direito de brincar. Certamente umas abortam suas infância cedo, por questões financeiras. Certamente outras prolongam suas infâncias por questões educacionais. Mas todas são, ou foram criança, e quem já viveu essa experiência sabe que, só por essa época, já valeu ter vivido!
Há crianças de todos ou tipos, todas as raças, em todas as nações. Esse universalismo que se compra na grande mídia todo mundo conhece. E, realmente, isso é uma verdade. Porém, mais triste do que pensamos. Compramos uma imagem até bonita, pagamos até muito bem por algo podre! Muito podre! Mas não no sentido mais profundo da palavra podre, mas num dos seus sentidos, num dos seus milhares de sentidos, acho até que num de seus sentidos mais desesperadores. Mas vamos ao que realmente interessa!
Era tarde, lá por umas seis horas da tarde. Foi um dia de muito sol, e a tarde estava bonita, com aquele céu claro de uma cidade num final de tarde. Tinha levado minha namorada para um tubo de ônibus perto da rodoferroviária. Comecei a retornar para a faculdade, subindo calmamente a avenida Sete de Setembro, pensando nos meus problemas (eu acho que estava pensando neles, sempre que estou sozinho faço isso). Eis que mais à frente começa a andar do meu lado, mas na pista de asfalto, um desses carrinhos de catadores de papel. O carrinho estava vazio, aliás, tinha alguns papeis, mas era muito pouco. O que chamava a atenção era um piazinho, devia ter de 3 a 5 anos, no máximo, que estava na parte de trás do carrinho. Brincava sozinho, sem muitos brinquedos, e eles eram alguns pedaços de papéis e cordas, que serviam para amarrar os pedaços de papelão. Se havia algo mais, não me lembro. Tampouco me recordo do que era a brincadeira, apenas entendi que aquilo era uma brincadeira porque certas expressões de criatividade e alegria infantis são, deveras, universais.
A felicidade do meu observado não era pequena até aquele momento. De repente passa um carro na rua, para do lado do carrinho, dois homens, um deles joga pra dentro do carrinho um pacote do salgadinho já pela metade. Naquele caso meio cheio. Então alguns homens que trabalhavam num posto de gasolina gritaram:
- Pega! É pra você!
O carrinheiro (espero que esse seja o nome certo!) devia ser o pai do garoto, olhou para os frentistas atrás dele, para os homens dentro do carro, agradeceu-os, e numa mistura de felicidade com rispidez (que me parece ser típico de pai) falou para o filho:
- Pega aí! Pode comer.
Os frentistas, eu, e talvez o motorista e o passageiro do carro, vimos o garoto largar tudo e ir comer. Ouvi barulhos que lembravam comemorações no posto. Ouvi o carro ir embora (espero que eles também tenham visto a cena!). E quase me vi feliz, mas numa angústia grande. Feliz pela cena que tinha acabado de se passar na minha frente. Por notar que há, sim, (eu também odeio esse chavão, mas vou ter que escrever!) esperança nos seres humanos. Eu diria até menos, que eles ainda, pelos menos ainda, têm um pouco de bom-senso ajudar seres frágeis que precisam ser ajudados. Mas a minha angústia vinha de algo maior, bem mais interno. Eu era um espectador, o mais legítimo de todos os espectadores daquela cena. Os frentistas participaram, tiveram a iniciativa de dar um pacotinho (meio cheio) de salgadinhos. Gesto simples, mas útil. Os dois homens do carro tiveram a boa vontade de serem os "entregadores" do(digamos aqui) "presente", sem dúvidas um bom gesto de caridade. O carrinheiro, não é preciso muito para falar de sua importância. Pai, trabalhando, carregando o filho como podia, e ainda abriu um sorriso quando viu o filho receber o presente. Tamanha felicidade que vi naquela cena só poderia se passar entre um pai e um filho. E além do mais, se não fosse o pai que quisesse ter passado por aquele rua, naquele momento, eu estaria, talvez, escrevendo um texto sobre "O brilho do sol numa final de tarde no centro de Curitiba". Pode-se dizer que ele teve uma grande importância em toda essa narrativa. Eu, contudo, não tive outro papel a não ser o de observador.
O que fazer? Em que poderia eu ajudar? Bom, comecei a pensar em várias coisas que existem, e que faltam, na nossa sociedade para que uma cena daquela ocorresse. Mas isso não intessava antes, nem interessa agora. Esse não é umm texto com um intiuito político. Por um momento quis limpar todos esses pensamentos mesquinho (mandá-los à merda!) e admirar a cena que estava vendo. O piazinho, feliz, comendo seu presente. De vez em quando olhava para mim, eu de vez em quando tinha que para de olhar para ele. Que futuros ele irá ter, ou mesmo se ele irá ter um futuro, eu não sei. Provavelmente não vou saber. Aquela cena só me fez poder observar que para o meu protagonista a felicidade se realizava com pequenas coisas. Não indaguei, nem vou indagar mais nada sobre ele. Já me disseram que às vezes nós queremos mudar a realidade de uma pessoa, mas elas são felizes do que jeito que estão. É verdade, e além do mais, seria um erro noisso interferir no livre arbítrio da pessoa. Sei que aquele menino não escolheu nascer filho de um carrinheiro, mas ele pode ter aprendido a ser feliz com a vida que seu pai lhe ofereceu. Pode nunca quere mudar isso. O que realmente importou em tudo isso foi a comprovação que essa universalidade da Infância é um dos melhores estados de espírito do ser humano, acalma, relaxa, nos faz aproveitarmos o que o mundo nos oferece (ou seja, nos faz saber vivermos o nosso mundo). Que comer salgadinho com a mão suja não é proibido por todos os pais, e que isso pode ser a tal felicidade.
Astronauta, Médico, e até ser um daqueles empresário ricos, podres de ricos, que não têm mais lugar para colocar o dinheiro que ganham. Queria sempre ser alguém rico, importante, famoso. Sonhos, por vezes é melhor não tê-los, quando nos tornamos adultos vemos o quanto são difíceis de realizarmos essas aspirações infantis. Sonhos, muitas vezes é gratificante termos eles, além de passamos horas e horas criando histórias que nos façam percorrer desde o início até o final dessas conquistas, ainda nos vemos fazendo realizações que poderiam mudar o mundo num piscar de olhos. É mágico!
Cresci, fato do qual não pude fugir, uma vez ouvi alguém falando (acho que é quase um ditado popular) "quem não morre, envelhece". Não sei porque guardei isso comigo, se essa é a maior de todas as verdades que temos de enfrentar durante nossas mesquinhas vidas humanas. Mas, além de envelhecer, comecei a ver que alguns sonhos foram se desmoronando devido às circunstâncias da vida, outros, eu mesmo fui desmanchando, porque quis. Normal, todos fazemos isso, o tempo todo, sempre mudamos de discurso, e acho que essa é uma das artes que as pessoas fazer de melhor. O gente instável nos seus pensamentos! Comigo não foi diferente. Logo cedo desisti da ideia de ser astronauta. Se eu quisesse ir para o espaço, que fosse rico e pagasse passagem! Era isso, ser rico, fui pela mais fácil (porque na minha cabeça tudo era muito lógico) me torno rico, e pronto! Contudo, eu não era inteligente o suficiente para ser alguém de sucesso, e muito preguiçoso para ser alguém rico pelo esporte. Nem era muito bom no futebol!
Crianças...sempre sonhando. E claro, todas sonham, todas precisam sonhar, e brincar através desses sonhos, desafiar cada dia mais suas imaginações sem nem saber que o que fazem é mágico. Ficar horas brincando num terreno baldio entre canos de esgotos abandonados fingindo uma guerra. A terceira guerra mundial! quem sabe? Imaginam muito, não pedem nada em troca, apenas o direito de brincar. Certamente umas abortam suas infância cedo, por questões financeiras. Certamente outras prolongam suas infâncias por questões educacionais. Mas todas são, ou foram criança, e quem já viveu essa experiência sabe que, só por essa época, já valeu ter vivido!
Há crianças de todos ou tipos, todas as raças, em todas as nações. Esse universalismo que se compra na grande mídia todo mundo conhece. E, realmente, isso é uma verdade. Porém, mais triste do que pensamos. Compramos uma imagem até bonita, pagamos até muito bem por algo podre! Muito podre! Mas não no sentido mais profundo da palavra podre, mas num dos seus sentidos, num dos seus milhares de sentidos, acho até que num de seus sentidos mais desesperadores. Mas vamos ao que realmente interessa!
Era tarde, lá por umas seis horas da tarde. Foi um dia de muito sol, e a tarde estava bonita, com aquele céu claro de uma cidade num final de tarde. Tinha levado minha namorada para um tubo de ônibus perto da rodoferroviária. Comecei a retornar para a faculdade, subindo calmamente a avenida Sete de Setembro, pensando nos meus problemas (eu acho que estava pensando neles, sempre que estou sozinho faço isso). Eis que mais à frente começa a andar do meu lado, mas na pista de asfalto, um desses carrinhos de catadores de papel. O carrinho estava vazio, aliás, tinha alguns papeis, mas era muito pouco. O que chamava a atenção era um piazinho, devia ter de 3 a 5 anos, no máximo, que estava na parte de trás do carrinho. Brincava sozinho, sem muitos brinquedos, e eles eram alguns pedaços de papéis e cordas, que serviam para amarrar os pedaços de papelão. Se havia algo mais, não me lembro. Tampouco me recordo do que era a brincadeira, apenas entendi que aquilo era uma brincadeira porque certas expressões de criatividade e alegria infantis são, deveras, universais.
A felicidade do meu observado não era pequena até aquele momento. De repente passa um carro na rua, para do lado do carrinho, dois homens, um deles joga pra dentro do carrinho um pacote do salgadinho já pela metade. Naquele caso meio cheio. Então alguns homens que trabalhavam num posto de gasolina gritaram:
- Pega! É pra você!
O carrinheiro (espero que esse seja o nome certo!) devia ser o pai do garoto, olhou para os frentistas atrás dele, para os homens dentro do carro, agradeceu-os, e numa mistura de felicidade com rispidez (que me parece ser típico de pai) falou para o filho:
- Pega aí! Pode comer.
Os frentistas, eu, e talvez o motorista e o passageiro do carro, vimos o garoto largar tudo e ir comer. Ouvi barulhos que lembravam comemorações no posto. Ouvi o carro ir embora (espero que eles também tenham visto a cena!). E quase me vi feliz, mas numa angústia grande. Feliz pela cena que tinha acabado de se passar na minha frente. Por notar que há, sim, (eu também odeio esse chavão, mas vou ter que escrever!) esperança nos seres humanos. Eu diria até menos, que eles ainda, pelos menos ainda, têm um pouco de bom-senso ajudar seres frágeis que precisam ser ajudados. Mas a minha angústia vinha de algo maior, bem mais interno. Eu era um espectador, o mais legítimo de todos os espectadores daquela cena. Os frentistas participaram, tiveram a iniciativa de dar um pacotinho (meio cheio) de salgadinhos. Gesto simples, mas útil. Os dois homens do carro tiveram a boa vontade de serem os "entregadores" do(digamos aqui) "presente", sem dúvidas um bom gesto de caridade. O carrinheiro, não é preciso muito para falar de sua importância. Pai, trabalhando, carregando o filho como podia, e ainda abriu um sorriso quando viu o filho receber o presente. Tamanha felicidade que vi naquela cena só poderia se passar entre um pai e um filho. E além do mais, se não fosse o pai que quisesse ter passado por aquele rua, naquele momento, eu estaria, talvez, escrevendo um texto sobre "O brilho do sol numa final de tarde no centro de Curitiba". Pode-se dizer que ele teve uma grande importância em toda essa narrativa. Eu, contudo, não tive outro papel a não ser o de observador.
O que fazer? Em que poderia eu ajudar? Bom, comecei a pensar em várias coisas que existem, e que faltam, na nossa sociedade para que uma cena daquela ocorresse. Mas isso não intessava antes, nem interessa agora. Esse não é umm texto com um intiuito político. Por um momento quis limpar todos esses pensamentos mesquinho (mandá-los à merda!) e admirar a cena que estava vendo. O piazinho, feliz, comendo seu presente. De vez em quando olhava para mim, eu de vez em quando tinha que para de olhar para ele. Que futuros ele irá ter, ou mesmo se ele irá ter um futuro, eu não sei. Provavelmente não vou saber. Aquela cena só me fez poder observar que para o meu protagonista a felicidade se realizava com pequenas coisas. Não indaguei, nem vou indagar mais nada sobre ele. Já me disseram que às vezes nós queremos mudar a realidade de uma pessoa, mas elas são felizes do que jeito que estão. É verdade, e além do mais, seria um erro noisso interferir no livre arbítrio da pessoa. Sei que aquele menino não escolheu nascer filho de um carrinheiro, mas ele pode ter aprendido a ser feliz com a vida que seu pai lhe ofereceu. Pode nunca quere mudar isso. O que realmente importou em tudo isso foi a comprovação que essa universalidade da Infância é um dos melhores estados de espírito do ser humano, acalma, relaxa, nos faz aproveitarmos o que o mundo nos oferece (ou seja, nos faz saber vivermos o nosso mundo). Que comer salgadinho com a mão suja não é proibido por todos os pais, e que isso pode ser a tal felicidade.
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