Glauco
texto escrito em 13 de março de 2010
texto escrito em 13 de março de 2010
Principalmente pela manhã. Perdido disfarçando, esperava meu pai sair pra tomar café, e logo me punha de cotovelos no balcão para folhar o “Folha de S. Paulo”, até chegar no Ilustrada e, por fim, ao que importava: os quadrinhos.
Ah, que diversão! De cara procurava os que mais me interessavam, pra dar risada. Me perdoe o Laerte, mas minha infantilidade não enxergava suas intenções; lia, sim, o Dik, o Adão, o Glauco. Então podia, agora sim, começar o dia, embora logo me detivesse novamente em mostrar uma das tiras engraçadas pra os outros empregados da loja.
Pena! Ontem tomei um susto quando, no agito de ir pra aula, vejo a notícia da morte do pai do Chico bacon e do Geraldão. Involuntariamente essas lembranças me vieram à mente. Anotei na mão o acontecido, pra falar para os amigos. Era o assunto do dia.
À noite, li na manchete que Jesus Cristo era quem tinha assassinado o Glauco; meu amigo disse que a religião é ruim para nós. Triste, pensei que suscetíveis estamos todos a tudo: ao mundo e seus desígnios, às fatalidades e seus sustos, ao Brasil e seus déficits, aos loucos e seus atos, até mesmo a cristo. Trágico!
Hoje temos tiras em branco.
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Andrius, o Romanceiro
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