quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Férias L.

Período indeterminado.

Pois agora ponho-me a lembrar tudo o que não fiz: o que eu não impactei; o que eu não li; quem eu não namorei e nem conquistei; pra onde não me mudei; o que não estudei; o que não disse; o que não vivi.
Planejei voar, mas nem sequer levantei a bunda da cama, assim, literalmente. Acabei como vegetal e nem sentimentos consigo expressar: nem melancolia, nem tristeza, nem solidão; nem sei se alegria. Somente sorrio, mas nem aceno. Sorrio porque a filosofia e a literatura me fazem ver além da vida, e nesta ainda há uma razão, uma esperança que está mais no dormir, pois o sono é sempre amigo e fiel.
O importante é as horas passarem, mesmo que eu não saiba contar; válido é contemplar, mesmo que seja o forro sujo ao invés do céu, hoje chuvoso; os móveis em lugar das árvores, gente e não pássaros. Nisso nada tenho a perder, por mais que me passe algo despercebido, é sem valor mesmo, ignóbil, desprezível, verme, e vegetais não comem vermes.
Amanhã nada acontecerá, semana que vem, talvez, quem sabe. Passarão vinte e quatro horas em cada dia, a chuva pode persistir, não comerei bolo, alguém morrerá de gripe, não aqui; gente trabalhará, o gato comerá em torno de quinze vezes, garotas promissoras continuarão ocultas e eu sorrirei: não haverá atualização.
Mas as férias hão de acabar. Até lá durmo, melhor assim.

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Andrius Felipe;
Rabiscos.

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